O Vale do Jequitinhonha
O
Vale do Jequitinhonha tem uma característica marcante no
que diz respeito ao Turismo : há locais bastante explorados,
como a famosa cidade histórica de Diamantina, que recebe
visitantes do mundo inteiro, atraídos pelos casarões
coloniais e histórias da escravidão nos séculos
XVIII e XIX; suas belas cachoeiras, seus bordados em algodão
cru, peças esculpidas em barro, os bares, restaurantes nas
calçadas e pousadas coloniais. Mas há também
- e é a grande maioria, cidadezinhas desconhecidas,
porém não menos pitorescas, interessantes, cujo acesso
dá-se por estradas de terra, com carros próprios,
alugados em Belo Horizonte, ou ônibus.
Uma dessas pequenas cidades,
que conserva uma atmosfera pacífica é Gonçalves
de Magalhães, cujas casinhas, humildes embora, têm seus
jardins repletos de flores, e a linda igreja matriz, datada do século
XIX, fica defronte a uma praça arborizada e fresca.
Há também
Turmalina, cidade que já é mais conhecida, com encontros
culturais de músicos, poetas, atores, na famosa Casa de Cultura,
referência dos trabalhos artesanais produzidos na região
e palco de encontro entre intelectuais. Em Turmalina, há as
famosas associações das artesãs que esculpem
em barro e um Centro de Agricultores que produzem frutas secas, mel
e alimentos orgânicos, e contam com a colaboração
de estudantes e professores de universidades, públicas
e particulares ( CAVE).
Vá a Berilo,
cidade à qual pertence o povoado de Lelivéldia. Você verá jóias
em ouro e côco, filigranas, da época do Brasil Colônia,
colchas bordadas em algodão cru tingido com extratos vegetais,
trabalhos em tear manual.
Araçuaí:
veja o mapa, é pertinho. Lá são famosos os grupos
que reproduzem os cantos das lavadeiras, das escravas, os lamentos à beira
do rio, as dramatizações de temas regionais ...
Em
Minas Novas, o famoso casarão de oito andares, dir-se-ia
artesanal, feito de barro, com portas altas, pois conta-se que o
D Pedro II, último imperador do Brasil, entrava nele montado
em seu cavalo. Lá, há trabalhos em couro, barro e
os bonecos enormes de pano utilizados em festas , tais como o Carnaval.
Chapada do Norte:
há os lindos banquinhos de madeira e cizal trançado
a mão, em vários tons naturais, lindas peças
decorativas ! E o mais bonito é que, na maior parte das cidades
e vilarejos, dá para vermos os artesãos trabalhando
em suas peças na hora...
Grão–Mogol,
por seu turno, conserva a história da escravidão intacta.
Montes Claros tem lindos trabalhos em argila, além de ser uma
cidade grande, com algumas boas universidades que são o sonho
dos jovens das cidades mais pobres. E há um local chamado
Pasmado, em que se produzem vasos e panelas de barro que são
procuradas por turistas e comerciantes do Brasil inteiro.
No Vale, há quilombos
preservados, muita música, café no bule com o famoso
biscoito de polvilho assado no fogão a lenha, os habitantes
são muito hospitaleiros, adoram contar suas histórias
e as histórias do lugar. É possível alugar um
cavalo para conhecer a natureza, almoçar uma comidinha caseira
fresca e deixar que os olhos se encham de paz e água, numa
paisagem que vai longe, seja composta de enormes pedras ou a própria
formação do Vale. No Vale do Jequitinhonha, aprendemos
a resgatar uma coisa que muitos de nós perdemos vivendo na
cidade grande : a ser feliz na simplicidade...Venha nos visitar !
Você pode
vir de avião até Belo Horizonte e alugar um carro lá mesmo,
com um mapa na mão, ou vá perguntando aos moradores
(sempre bem dispostos) sobre as melhores estradas. Se preferir,
tome um ônibus na Rodoviária de Belo Horizonte, com destino
a Diamantina, Araçuaí, você monta seu roteiro...
Boa Viagem ! |

Nada igual ao amanhecer em Lelivéldia. Simplesmente lindo! |
Da
região do Jequitinhonha fazem parte também as histórias de negros
fugidos, que se protegiam da captura dos capitães do mato, assaltando
carregamentos que passavam pelas estradas. Muitos desses negros
reuniram-se em quilombos, núcleos de resistência à escravidão, onde
formaram famílias, plantações, moendas, e deixaram descendentes
diretos, influenciando as comunidades que ali se instalaram depois, até
os nossos dias.
Berilo,
cidade representativa de toda essa região, tem hoje como frente de
trabalho o plantio e colheita de algodão, bem como o tingimento e
produção de tecidos feitos em teares. |
Esse é o cenário
Em lugar, portanto, de heróica tradição e brava gente, foi plantado o Curumim.
A região em que hoje atua compreende várias comunidades de diferentes
municípios. Sua sede fica num dos distritos de Berilo, chamado
Lelivéldia, nome dado em homenagem ao padre holandês Wilhelmus Johannes
Leliveld, presente em sua fundação. No início, a terrra era conhecida
como “cabeceira do córrego da vagem do Cabral”. O padre Wilhelmus veio
e celebrou a primeira missa na casa de Aprígio Leite, que ficava na
barra do Córrego do Lameirão, passando a localidade a se chamar
Lamarão. Hoje Lelivéldia.
São 570 km. de estrada, desde Belo Horizonte, 22 km. do centro de
Berilo, no Alto do Jequitinhonha, a nordeste do Estado de Minas Gerais.
Em volta, as cidades de Cristália, Grão-Mogol, Virgem da Lapa, José
Gonçalves de Minas, e os rios Jequitinhonha, Ribeirão do Altar, Córrego
Bonito e Portilho. |